Excursão TTT

Acabo de acordar. Venho de um daqueles sonhos onde muita coisa acontece, a vontade é de voltar a dormir imediatamente para não interromper a cadeia de eventos. Minutos depois não lembro do sonho, sei apenas que era agitado. Talvez fomentado pelas mil sensações vividas ao longo dos últimos treze dias. 

Tudo começou com o desejo de realizar uma prova tradicional, a TTT – Travessia Torres Tramandaí . Há meses atrás fiz a inscrição e convidei amigos para participar da corrida. Recém tinha comprado dois alforjes para a minha bicicleta e uma barraca. Então veio a inspiração de transformar a corrida em uma viagem. O meio de locomoção seria a bicicleta e aproveitaria a proximidade de Torres da região dos cânions entre Santa Cataria e Rio Grande do Sul para passar alguns dias explorando trilhas. É um lugar fantástico com uma história muito rica e que vale a pena ser visitada e experimentada várias vezes. Criei um grupo no WhatsApp e no início éramos cinco amigos com inscrições feitas, entre eles o grande amigo das aventuras, Tarso, o #vidalinda #vidalouca. Com ele não tem tempo ruim.

Dias depois mencionei a idéia para o César Zaniboni, um amigo que fiz há pouco, de uma outra geração, com uma bagagem incrível e humor extraterrestre. César é uma espécie de sonho de carne e osso. Converse com ele e descubra as aventuras que você quer viver. Para mim ele é o Caballo Viejo, como o chamo carinhosamente. Um livro precisa ser escrito sobre ele, talvez um dia o faça. César gostou da idéia e propôs que nos acompanhasse na pedalada até Torres. Ele voltaria no dia seguinte, pois não queria se ausentar mais do que cinco dias de Florianópolis. Natural de Criciúma, o percurso de ida seria encarregado a ele. Decidimos dividir a ida em três dias, a volta em dois. 

Ajustamos o cronograma em função da TTT e a data de partida acordada foi dia 24 de Janeiro. Ficaríamos três dias em Praia Grande, do dia 29 de Janeiro a 1 de Fevereiro, quando voltaríamos, chegando no dia 2 de Fevereiro. Todos toparam e eu fiquei encarregado da programação para os dias em Praia Grande.

O tempo passou e só o Tarso e eu mantivemos os planos de fazer a excursão. Por motivos de força maior houve desistências. Uma semana antes da partida tivemos a adição da Marlene, que faria a prova solo, tal como o Tarso e eu, e da Samanta, amiga da Marlene que não iria correr, mas que nos acompanharia durante a TTT e também em Praia Grande. Ambas iriam de carro. Achamos melhor adicionar um dia de descanso em Torres antes da TTT, e assim encurtar a ida para dois ao invés de três dias.

O dia da partida chegou! Após um fim de semana na Praia da Pinheira com o Tarso que usei como evento teste, estava confiante com o meu equipamento e a experiência adquirida. Já sabia montar a barraca e pude eliminar alguns itens supérfulos do meu kit camping, entre eles um frasco de perfume que devia pesar meio quilo.

Floripa a Braço do Norte

Tarso e eu acordamos às 4h30min aproximadamente. Ocupados pela preparação para a viagem, deitamos tarde e não chegamos a dormir três horas. O dia pela frente seria longo. Saímos atrasados, às 5h30min, e fomos ao encontro do César junto à passarela da ponte Pedro Ivo Campos. O atraso era de 15min e o César esperava. Fizemos um registro fotográfico da partida e zarpamos rumo à BR-282, a estrada que nos levaria até a entrada para São Bonifácio.

Marco inicial da viagem rumo à Torres

O início da viagem foi de muita euforia. Estava em curso o plano traçado há meses. A temperatura amena e tempo bom não serviram de presságio para o que estava por vir. 

A primeira parada foi no posto Serramar, tradicional ponto de encontro de ciclistas e triatletas para treinos em morros. Lá planejei um encontro com o triatleta Gilead, o que não arde. Em oposição a Gilearde, o que arde. Ele queria fazer um registro da nossa passagem. O Gilead mantém um blog sobre seus treinos e ler seus relatos é diversão certa. Batemos papo por alguns minutos, reabastecemos as caramanholas e o César foi reconhecido. “Tu és do Campeche!” exclamou um senhor ao vê-lo. Esse César é inesquecível mesmo. Obtivemos informações a respeito da qualidade da água do local, pura da montanha. Bora Garoto!

Meu receio era ter que empurrar a bike. Nunca tinha subido morros assim com alforjes carregados e uma relação pouco favorável para cicloturismo. Superei as expectativas e os morros foram sendo vencidos um a um. O Tarso e eu inclusive fizemos algumas disputas de subida. Não recomendo quando há 170 km de pedal no dia e você nem chegou a 100 km. César decepcionou-se com a tal da “parede” de que tanto falava mas não conhecia. Até agora estamos debatendo onde é a tal da parede, um morro muito íngreme e longo. Acredito que seja a segunda subida forte rumo a São Bonifácio, marcada por uma bica de água gelada e revigorante da serra. Lá nos esbaldamos na abundância que veio em boa hora num dia que esquentara.

A terceira parada no trecho veio no Café da Vó Zita, um lugar que se depender de mim será parada obrigatória em qualquer pedal que passe por São Bonifácio. Valorizo muito esses negócios familiares, de preços mais do que justos, frutos de trabalho feito com amor. Amor que você sente no waffle de banana. Lá perguntei sobre uma cachoeira, e assim obtivemos as direções para chegar à Cachoeira da Dona Bebê. Um desvio de 5 km da rota original. Debatemos se valeria a pena. Fui insistente, devemos visitar a cachoeira. 

Tive dificuldade em conter a minha alegria ao mergulhar nessa água gelada, ao sentir a força dela sobre as minhas costas e pernas. Provido de óculos de natação, pude ainda explorar o mundo submerso da cachoeira, repleto de vida. Como chegaram aqui os peixes? Era a pergunta do Tarso. A minha tese era de que como toda a vida, essa também surgiu nos oceanos e foi subindo os rios, sendo modificada pela seleção natural, até que as espécies diferenciaram-se a ponto de não mais sobreviver em água salgada. Há uma tese que envolve fezes de passarinhos, mas a essa eu não subscrevo.

Cachoeira da Dona Bebê em São Bonifácio

Podemos ficar aqui? Já tá bom, hora de voltar pra Floripa. De fato, se a viagem ali terminasse já estaria bom. Que maravilha essa cachoeira de nome que não faz jus ao seu esplendor. É fato que eu não conheci a Dona Bebê. É mais um enigma a ser desvendado, assim como a origem dos peixes nos rios.

Até São Bonifácio já estivera. O caminho à frente era desconhecido. E começou com estrada de chão. Soube que o César resmungou em seu pensamento quando um carro levantou muita poeira e sujou toda a sua bike. Pensou que infortúnio diante de poucos quilômetros de estrada de chão. Não foram poucos. Foram cinquenta quilômetros de um sobe e desce interminável com curvas fechadas, areia solta e um calor de fazer derreter o mais puro dos chocolates. Sim, eu carregava em um dos alforjes uma barra de chocolate. Durante esse trecho vivi muitos momentos de tensão. Os pneus de 32 mm provaram ser muito estreitos para esse terreno e navegava na ponta dos dedos, com muito cuidado ao escolher o traçado nas curvas e retas. Esse cuidado era redobrado nas descidas. Os freios foram sendo consumidos rapidamente e isso logo tornou-se motivo de preocupação.

Paramos ocasionalmente para que eu ajeitasse os alforjes, que a custo de sua praticidade, possuem um sistema de encaixe que às vezes é desalojado com a trepidação constante. O alforje não cai, mas um do seus encaixes requer uma ajuste quando o solavanco é grande. Não chega a demorar trinta segundos esse ajuste. O suficiente para ficar para trás. A câmara do César explodiu pelo calor gerado na frenagem. Ele não conseguia tocar no aro. Essa pausa era bem vinda. Minutos depois reabastecemos as caramanholas na casa do Leo, assim chamado, um pequeno agricultor. Lá soubemos que havia um posto Gabiroba não muito distante. Ele nos recomendou seguir por Rio Fortuna ao invés de São Martinho para chegar a Braço do Norte, nosso destino final do dia.

Amostra da estrada de chão de São Bonifácio a Rio Fortuna. O César pode ser visto ao fundo, à procura de um toilette natural.

Paramos no Posto Gabiroba, parece que há mais de um. Lá conversamos com um um adepto do moto trilha, o Livino. Paramos em seu bar e ele nos brindou com metade de um bolo de chocolate, que o Tarso consumiu quase por inteiro. Uma das lições aprendidas durante essa viagem é que nunca se deve oferecer algo de comer ao Tarso por mera educação. Esteja pronto para lidar com as consequências.

Com os estômagos devidamente abastecidos seguimos rumo a Rio Fortuna. Só mais alguns quilômetros de estrada de chão e minha bunda seria eternamente grata. E assim foi. No topo de uma pequena subida o César e Tarso anunciavam que eu ficaria muito feliz. Não entendi de primeira, mas ao sentir o cessar de trepidação do asfalto não me contive. Desmontei da bicicleta e beijei o chão. Imagino que o Papa João Paulo II também tenha pedalado por essa estrada, ou alguma semelhante.

Dali até Braço do Norte foi um pulo. A chegada foi saudada por chuva bem-vinda. Tirou o pó das bicicletas e do corpo. César jurou que de tanta poeira dos cinquenta quilômetros de estrada de chão viu um João de Barro alojar-se na minha barba.

Achamos um hotel simplório, para não dizer muquifo, onde nos alojamos naquela noite. Antes de dormir saímos desesperados pelas ruas de Braço do Norte à procura de um lugar para comer. Encontramos a felicidade no Restaurante Choperia Prato e Caneco. La minuta a 17 reais. Com o bucho cheio foi uma noite bem dormida apesar das instalações precárias.

Braço do Norte a Torres

Não lembro se teve café da manhã. Sim, um café com acúcar do bar do hotel. Melhor dizendo, no hotel do bar.

Sem a mesma euforia, em um dia cinza e sob uma fina chuva, saímos às 8h30min rumo a Torres. O primeiro destino seria São Ludgero, que chegou rapidamente. Sem a nossa ciência, alguém colocou um morro interminável na saída de São Ludgero. Foi uma surpresa desagradável começar o dia com esse imprevisto, amenizado pela existência de uma bica no meio da subida. De São Ludgero a viagem passou por Orleans, após uma longa descida. O nosso trajeto abraçava o pé da serra. Como quem não quer se despedir, foi um sobe-e-desce-morro interminável. Ao sair de Orleans iniciamos uma subida longa que passou por Lauro Müller e terminou na metade do caminho até Treviso. Fiz o trajeto inverso durante o Fodaxman no início de Janeiro. Entre Treviso e Siderópolis fizemos uma parada para tomar caldo de cana. A primeira da viagem. O desejo já estava maduro. Tarso comprou um cacho de bananas; nada com ele é módico quando se trata de alimento. Devorei um pacote de amendoim e bebi suco de uva. Tomei café. Impressionante como essa mistura de bebidas e comidas encontra-se no estômago sem eclodir uma terceira guerra mundial.

Uma certa confusão surgiu sobre o trajeto a partir de Siderópolis. O objetivo era evitar Criciúma e o trânsito mais intenso nas rodovias. Agora era tarde pois já estávamos praticamente dentro de Criciúma. Desviamos da cidade como quem foge da força gravitacional de um buraco negro rumo à Nova Veneza. Ali também cometemos uma certa gafe e escolhemos um trajeto mais longo até Forquilinha. Antes de chegar em Nova Veneza encontramos uma subida íngrime onde apostei corrida com o Tarso. Ele me passou no terço final da subida e com a fúria de um Pantani reagi, passando por ele como se estivesse ele parado, sem deixar dúvidas de quem ficaria com a Maglia Rosa. Senti as veias do meu pescoço dilatarem e as pernas quase explodirem com o esforço. São loucos mesmo esses cicloturistas apostando corridas nas subidas de morros. Triunfante aguardei por ele e o César no topo.

Em Forquilhinha tudo endireitou-se. A estrada principalmente. Afastamo-nos da serra. Era hora de ganhar velocidade, pois o risco de uma chegada noturna a Torres era real. O trajeto passou por Meleiro e seguiu pela tríade mais curiosa de cidades conectadas que eu conheço: Turvo, Ermo e Sombrio. Nesse trecho plano de retas infinitas rendemos bem. Chegamos finalmente à BR-101.

O trecho final até Torres foi na BR-101, onde eu desgarrei um pouco do César e do Tarso, tirando proveito da esteira deixado pelos caminhões que passavam à minha esquerda. Olhava ocasionalmente para trás para certificar-me de que meus companheiros continuavam em vista. Esperei um par de vezes até ressurgirem. Então veio um pé d’água colossal, que atravessei sem hesitar. Pingos graúdos espatifavam sobre o capacete e chegavam a fazer os braços e pernas doerem. Água borrifada dos caminhões tornava a esteira deixada por eles visível. É lindo esse caos aparente. Houve uma trégua momentânea. A chuva ressurgiu agora mais forte e abriguei-me em um posto da Polícia Rodoviária Federal, onde aguardei os meus companheiros de viagem. Após alguns minutos eles surgiram e seguimos pelos 6 km restantes até Torres. 

A nossa viagem de ida estava concluída. Fomos recebidos pelo amigo André, quem conheci durante o doutorado nos EUA e que curiosamente é um grande amigo do pai do Tarso. Esse mundo é mesmo um ovo. Após uma foto celebratória o André nos recebeu com um jantar maravilhoso, todo orgânico. André é um engenheiro agrônomo com uma atuação em vários países das Américas, África e Ásia. Que alegria! Chegamos!

A chegada em Torres

Dois dias de descanso

O apartamento do André oferece uma vista impressionante do oceano, de onde pude apreciar o nascer do sol e a fúria do seu calor. Essa vista foi assimilada ao sabor de um delicioso café etíope brindado pelo André. O dia ia ser quente. André conseguiu agendar uma sessão com sua fisioterapeuta, que gentilmente concordou em me atender apesar da agenda lotada. A Rita também iria participar da TTT e após uma hora e meia quase, saí da sessão renovado, leve, alegre. Naquela manhã fizemos uma visita ao farol da cidade de Torres e tiramos muitas fotos. Era hora de nos despedirmos do César, que iniciava sua viagem de volta, parando em Balneário Rincão por um dia para fazer uma visita à sua mãe. Com partida dele veio um um pouco de tristeza, pois sua companhia é muito agradável e sabia que sentiria sua falta.

Despedida do César no Farol de Torres

Tarso e eu ficamos em Torres e André foi participar de uma banca de doutorado em Porto Alegre. Passamos o dia descansando, numa preguiça tão grande quanto a quilometragem dos dois dias anteriores, 365 km, um para cada dia do ano. Aproveitei para deixar a minha bicicleta na Klein Bicicletas, onde desempenaram a minha roda traseira, castigada pelos inúmeros solavancos da viagem.

O segundo dia em Torres também foi assim, de preguiça. Animei-me a preparar um prato de berinjela assada no forno com molho de tomate caseiro, azeite de oliva, tomate e manjericão. O prato pediu queijo e obedeci, apesar do esforço em eliminar lacticínios da minha dieta. Nunca tinha feito o molho de tomate assim. Apesar de ser a primeira vez, ficou muito bom, modéstia à parte.

No fim da tarde recebemos a visita da Marlene e Samanta, que ficaram jogando conversa fora com o Tarso enquanto eu preparava o prato que iria servir logo mais ao André, minha forma de retribuir a sua imensa hospitalidade. Quando alguém deixa a chave de sua casa com você e se ausenta, a responsabilidade para mim é grande.

Uma última dúvida me assolava antes da TTT. Com que calçado iria correr? Eis quando recebi uma mensagem do César avisando que havia esquecido seu Crocs. E que por favor fizesse o favor de entrega-los à Maide, uma amiga que também iria participar da prova e retornaria em seguida a Florianópolis. Estava decidido. Correria de Crocs. São leves e arejados, neles a umidade e areia seriam facilmente eliminados. Mas tem um outro lado da história.

TTT – A Corrida

As horas que antecederam a largada foram conturbadas. O apartamento do André localiza-se convenientemente a 150 m da largada. Tarso e eu ainda não tínhamos os kits de corrida e principalmente o numeral, item importante. O chip conseguimos retirar no local da largada com alguma insistência e a apresentação do atestado médico. Mas o kit estava com um amigo da Maide que encontrava-se a caminho. Com dois minutos para a largada ele apareceu. Freneticamente eu tentava ajeitar o numeral na camisa e justamente no momento da largada consegui prender o numeral e sair em perseguição. A pressa era desnecessária pois a prova seria longa. Com 5 km figurava em terceiro. Assim permaneci, com o segundo colocado à vista, e o primeiro mais distante, até completar 30 km de prova aproximadamente.

De Crocs na TTT – Foto: Foco Radical

Sentia que algo não estava bem. De um lado estava tendo dificuldade de manter um ritmo competitivo. Perdi duas posições em dois quilômetros. Pelo outro lado senti que havia bolhas, muitas bolhas em meus pés. Fiz uma tentativa antes da largada de colocar esparadrapo onde imaginaria que as bolhas pudessem surgir. Minha imaginação não foi fértil o suficiente. Precisava de muito mais esparadrapo. Tinha completado 32 km e o prospecto de destruir os meus pés sem ser competitivo fez com que eu desistisse da prova. Parei o cronômetro com alguma relutância. Tirei os Crocs e caminhei descalço, apreciando a vista e aquele início de manhã. Demorou para um corredor me alcançar. Acho que caminhei quase 30 min sem ser ultrapassado.

Olha aí o pangaré que desistiu da prova solo. Foto: Foco Radical

Foi um erro parar? Acredito que não. Há tempo que tento me recuperar de uma queda de bicicleta e o meu ritmo de treinos foi completamente interrompido. Não tive tempo para acumular volume necessário para provas acima da distância da maratona. Não há milagres, não estava preparado. Caminhei até o próximo posto de troca, no marco 39 km, onde retirei meu numeral e entreguei o chip. Lá aguardei os meus amigos passarem, quase juntos, o Tarso na corrida solo e a Maide, correndo em dupla. Avisei aos dois que desistira. A Maide ofereceu-se para me buscar assim que terminasse o trecho que corria, faltavam 8 km. Samanta acompanhava o Tarso de bicicleta e antes de abandonar a prova, ela havia feito uma visita a mim, mais adiante. Não estava triste. Fui em busca de algo para comer, um café quiçá. Nessa busca encontrei uma carona com o Alexandre Flores, corredor de 51 anos da Sogipa Runners. Tivemos um papo entre corredores e trocamos as nossas figurinhas, tempo em maratona, etc. Alexandre é um corredor muito forte, deu pra perceber. Agradeci a carona e fui em busca da Maide.

A Maide chegou um pouco surpresa ao me ver. Parecia bem animada com o trecho que acabava de concluir. Seguimos direto para o trecho que ela iria correr para encerrar a prova, em sua cidade natal de Tramandaí. Seriam 16,5 km. Após comer e beber um suco de abacaxi, minhas pernas começaram a se agitar. Sentia-me disposto a continuar correndo. Um par de tênis que eu joguei no carro da Maide antes de largar seria a solução. Decidi correr o final da prova com ela. 

De volta à TTT, fazendo os últimos dois trechos com a Maide. Foto: Foco Radical

O calor do meio-dia não tava fácil. A Maide sentiu. Eu já descansado e nutrido, e acostumado a sofrer no sol correndo e pedalando, assimilei a situação bem. Na prova a hidratação foi perfeita. Havia postos de hidratação a cada 2,5 km quase. Parabéns à organização. Nem precisava de mochila de hidratação para correr solo. Eu previ 1h20min a 1h30min para completar os 16,5 km restantes. Ao longo do caminho ultrapassamos alguns corredores da categoria solo, entre eles alguns garotos de mais de 50 anos. Quanta disposição! Corri ao lado de um deles, que estava com muitas dores. Tentei encorajá-lo. Quem sabe um dia chego lá.

Com metros para terminar a corrida a Maide disparou e passou pelo portal fazendo algumas ultrapassagens. Distante, observei o seu momento de emoção junto à família, que a aguardava. Senti um pouco de sua alegria também. Que fantástico presenciar esses momentos. Como inscrito, pude usufruir dos comes e bebes após a prova, mesmo tendo abandonado. 

Maide estava com pressa e fomos até a casa de sua mãe e avó comer feijão, bolo e tomar um banho. Após duas horas voltamos para a chegada da prova em busca do Tarso, Marlene e Samanta. Fomos informados que haviam chegado apenas nove minutos antes. Timing quase perfeito. Tarso e Marlene chegaram juntos, completando a TTT em 10h40min. Tarso parecia um caco. Sem volume de treino, mas com disposição infinita, terminou a prova. Marlene é de fibra forte, mal parecia que acabara de correr 80 km. Celebramos rapidamente em conjunto e seguimos de volta no carro da Maide até Torres. 

Maide deixou o Tarso e eu na casa do André e as meninas no camping. Arrumamos as nossas coisas e já em plena noite a Marlene e Samanta vieram de carro nos buscar para seguir a Praia Grande. Despedimo-nos do André e tomei as rédeas do carro até Praia Grande. Chegamos ao camping, montamos barracas e dormimos quase que imediatamente. Presenciei um Tarso adormecendo enquanto comia um queijo quente. Tal era o cansaço.

Praia Grande – Cânion Itaimbezinho

Não houve despertador. Só o impressionante grito dos macacos bugio. Nunca antes ouvira tal demonstração de poder sonoro. Senti um certo medo. Uma criatura com esse grito certamente deveria ser temida. Um traço evolutivo muito eficiente.

No cardápio do dia encontramos o Cânion Itaimbezinho, que na língua Tupi-Guaraní significa “pedra afiada”. Essa formação geológica impressiona. Supreendentemente não é um dos pontos turísticos mais conhecidos no Brasil. Mesmo sendo morador de Santa Catarina desde 1990, só soube da existência dos cânions em 2010. E não sou um caso assim tão raro, como já pude perceber em conversas com amigos. Para chegar à borda do cânion subimos a Serra do Faxinal de carro, lentamente. A estrada é quase toda de chão, com muitas pedras soltas. Foi a minha segunda visita à borda desse cânion, a primeira em abril de 2016. O dia estava nublado, mas a visibilidade era suficiente para avistar o fundo do cânion. Fizemos as duas trilhas a pé, a do Cotovelo e a do Vértice. Houve momentos em que as nuvens preencheram o cânion, propiciando um momento de extrema beleza. Às vezes é melhor não ver tudo.

Vista do Cânion Itaimbezinho com nuvens

Assim meio sem querer descobrimos um rancho que anunciava artesanato em lã e lanches justamente quando a fome apertava. Soube depois que a exploração comercial estava proibida no parque, mas que em função de uma recente falta de financiamento à fundação que administra o parque, essa proibição deixou de ser cumprida. Eu agradeci. O rancho é uma propriedade particular dentro do parque que pertence à família Klippel. Ultrapassei alguns trilheiros antecipando uma enxurrada de pedidos à cozinha. Foram dois pastéis de queijo, um café com leite. Também comprei doce de nata com amendoim. Antevejo que largar os lacticínios vai ser mais difícil que esperava, principalmente em viagem.

Rancho da Família Klippel

Meus companheiros chegaram e juntos saboreamos o delicioso pastel feito na hora. Não queria ir embora. Quanta paz aquele lugar propiciava. Na verdade o que me irritava era a constante conversa dos outros em voz muito alta. Afortunadamente tive alguns momentos de contemplação antes de todos chegarem.

Naquela noite comemos um macarrão ao alho, gengibre e óleo. O gengibre é uma dica da Marlene que eu simplesmente amei. Fico sempre com medo de ficar com fome na presença do Tarso, mas ele é consciente e geralmente faz uma pré-refeição. Foi um dia de descanso, com quase 10 km de caminhada em trilha aberta, de fácil locomoção.

Naquele noite também encontramos o nosso guia, o Tarcísio, que apesar do nome, não é parente do Tarso. Combinamos de nos encontrar na entrada da estrada de terra que leva ao camping, às 7:30 da manhã do dia seguinte. Boa noite.

Praia Grande – Trilha do Rio do Boi

O Rio do Boi é o rio que corta o fundo do cânion Itaimbezinho. É assim chamado porque muitos bois já despencaram da borda do cânion em dias de serração. O plano foi de ir além o ponto habitual para turistas, dada elevado nível de preparo físico da nossa trupe. Atento às informações do Tarcísio, adentramos a trilha, inicialmente coberta, aos gritos dos macacos bugio. Esse som ensurdecedor penetra os ossos. Uma experiência realmente única. Após uma hora e dez minutos fizemos uma parada para comer à margem do rio. Daqui para diante a caminhada seria em rochas e todo cuidado é pouco. Impressionante a destreza do Tarcísio sobre essas rochas. Acredito que não tenha visto sequer um escorregão dele, que trafegava entre as pedras com extrema segurança e facilidade. Já eu, bem, até que não fui tão mal assim, mas escorreguei um montão.

Dentro do cânion com as paredes verticais de quase mil metros de altura de cada lado, formando uma perfeita caixa basáltica, sente-se uma grande vulnerabilidade. Pedras recém-caídas são sinais de que há riscos. Exclamo aos amigos que se uma pedra caísse na minha cabeça justo no momento em que escolhi passar, com a certeza de uma morte súbita, era hora. Assim segui tranquilo, sem medo. Soubemos pelo Tarcísio que antes de 1958 Praia Grande nem existia. Havia uma vila nos cânions e por ali trafegavam carros de boi e um comércio de madeira e outros itens. No tempo desde a criação do parque em 1959, a natureza eliminou grande parte dos vestígios dessa população.

Nessa toada horas se passaram e alcançamos o ponto escolhido pelos turistas para a foto de cartão postal. Onde a maioria retorna, nós seguimos cânion adentro. Alcançamos o local de encontro do cânion com duas fendas laterais, Portal e Teto Negro. Segundo o Tarcísio trata-se de uma zona de confluência energética. Cético como sou, penso que seja apenas um local de encontro de correntes de ar. Unânimes fomos na opinião de beleza do lugar. A fenda Teto Negro é assim chamada porque na rocha negra há um recorte enorme formando um teto. Os inúmeros pedregulhos rachados à nossa volta são um sinal de que sob esse teto não se recomenda abrigo.

Trilha do Rio do Boi

Continuamos cânion adentro e pelo caminho encontramos patamares com a formação de piscinas naturais, devidamente aproveitadas por todos nós. Com os óculos de natação em mãos, pude constatar a existência de inúmeros peixes nessas piscinas, todos pequenos. Até mesmo um pequeno caranguejo de água doce avistei. Era hora de retornar.

A volta foi marcara pelo silêncio. Talvez pelo esforço do dia de caminhada ou inebriados pela grandiosidade do cânion, poucas foram as palavras proferidas. Antes de atingirmos a guarita do parque, a pedido do Tarcísio, teve chuva e trovoada. A fome era grande e um plano já estava traçado.

Em frente ao camping encontra-se a Casa Nossa Restaurante Rural, da família Leal. A comida é caseira e saborosa, como pude comprovar pessoalmente. Há também um bem-vindo desconto para vegetarianos. Encerrar o dia com um prato quente era tudo o que eu queria.

Praia Grande – Circuito

Para o nosso último dia em Praia Grande o Tarcísio propôs o “Circuito”. Esse percurso reune alguns marcos locais: Cânion Malacara, Cachoeira da Onça, Poço Encantado e Morro Campestre. Novamente 15 km de caminhada em diversos tipos de terreno.

Pudemos dormir um pouco mais e tomar café com calma com partida anunciada para as 9h. Saímos a pé do próprio camping, onde retornaríamos 8h30min mais tarde, também a pé.

Iniciamos o trajeto pelo cânion Malacara, nome dado em homenagem a uma raça de cavalo que habitava o cânion. Esta trilha já havia feito em 2016 e notei que o curso do rio já não era o mesmo. Esse fato já nos tinha sido explicado pelo Tarcísio. A cada enxurrada, as pedras são deslocadas pela força da água e o leito do rio sofre algumas alterações. O nível de água também estava bem menor quando comparado à visita anterior. O nosso percurso foi de 3,5 km cânion adentro, até encontrar uma piscina natural bem grande. Lá fomos brindados por um pouco de sol e ficamos quase uma hora. Tarso até deu uma mini aula de natação para a Samanta e Marlene.

Totem com piscina natural ao fundo, dentro do Cânion Malacara

O próximo destino seria a Cachoeira da Onça. Para chegar lá tivemos que retornar praticamente até a entrada do cânion, onde adentramos a mata por uma pequena trilha lateral, difícil de ser avistada para quem não a conhece. Meus pés celebravam a maciez da terra em contraste à dureza da rocha. Enfim sentia-me à vontade para estabelecer a pisada sem receio de torcer um tornozelo ou escorregar sobre pedras soltas. Não demorou muito e começamos a subir, justo o que mais gosto de fazer. O aumento do batimento cardíaco acordou o corpo de um certo estado de torpor e senti-me mais disposto. Passamos por um bananal, muitas teias de aranha e outros insetos. Nessas horas o meu lema é não ficar parado. Quanto mais tempo imóvel, maiores são as chances de ser incomodado por algum bicho curioso. 

Não tardou e chegamos à famosa Cachoeira da Onça. O sol iluminava a queda d’água. Não perdi tempo e depois de retirar a mochila de hidratação e camisa, coloquei-me imediatamente embaixo da cachoeira, em pé com as mãos apoiadas na rocha e as costas recebendo a mais deliciosa das massagens naturais. Por alguns segundos deixei que a água caísse sobre a minha cabeça. A queda não deve ter mais do que dez metros, mas é suficiente para fazer doer o cocoruto. Cedi o meu lugar aos demais interessados e fui sentar em um banco existente no local. Nesse momento fui avisado pelo Tarcísio da presença de uma taturana a poucos centímetros do meu braço. Um leve afago pode ser motivo de uma visita ao hospital. Passei o resto do dia alerto para a presença de taturanas.

Cachoeira da Onça

O próximo destino seria a subida ao topo da cachoeira por uma trilha lateral. Mas antes visitamos uma figueira centenária, uma de três de porte semelhante existente no local. Entre os mamíferos, seres humanos tem uma longevidade destacada. Algumas árvores, como a figueira,  podem viver centenas de anos. Tenho uma enorme curiosidade por essas testemunhas da passagem do tempo. Quantas histórias poderiam nos contar.

A chegada ao Poço Encantado, localizado no topo da Cachoeira da Onça, exigiu uma certa destreza e uso de cordas instaladas para ajudar os visitantes. As pedras ali são muito escorregadias e um deslize pode significar o último dos mergulhos. Em segurança, todos pudemos apreciar a cor verde-azulada do Poço Encantado. Tarcísio garante que sua pele pouco envelhecida é fruto de muitos banhos no poço. Avidamente despimos a indumentária para desfrutar desse poço. Do topo da cachoeira a vista é deslumbrante. Ao fundo a planície que se estende ao pé da serra, emoldurado pela mata próxima. No fundo do poço aloja-se um pedregulho enorme. Tarcísio conta que esse pedregulho chegou recentemente, carregado pela força da água, e que se uma nova enxurrada vier, pode ser levado embora. E assim tivemos uma demonstração nítida de como foi formado o poço em primeiro lugar, pela ação das pedras e da água, escavando a rocha. Tarso deitou-se à beira do poço e dormiu profundamente. Foi preciso sacudí-lo na hora de partir.

Tarso adormece à beira do Poço Encantado

O nosso último destino do dia seria o topo do Morro Campestre. Apesar de ser pertencer ao Parque Nacional da Serra Geral, parte do morro é usado para a criação de gado. A trilha que seguimos era mais parecida com o terreno em que costumo treinar corridas. E depois de uma hora de caminhada e breves momentos de descanso, pudemos avistar o cume do morro. Tarcísio nos liberou para avançar impedidos e Tarso e eu decidimos correr esse último trecho. Os trezentos metros finais são muito íngremes e cheguei ao topo ofegante. Todos reunidos, fizemos muitas fotos. A vista do paredão da serra dali é fantástica. A temperatura do ar mais amena e a brisa que soprava nos aliviava do esforço da subida. Que maravilha. Imaginei acampar ali, com o céu estrelado como teto e a parede rochosa da serra como cabeceira. A cidade de Praia Grande aos pés, Torres e o mar no horizonte.

No topo do Morro Campestre, eu na minha pose “xícara”.

O caminho de volta ao camping, já ao final do dia, consistiu de um ataque constante de mosquitos, a fuga de dois bois importunados pela minha presença, mas incapazes de estabelecer uma rota de fuga lateral, encurralando-se à porteira que se encontrava fechada. Com um certo receio pulei a porteira sem dar muita atenção aos bovinos. Adiantava-me em relação aos demais porque queria a todo custo evitar o uso de repelente. Não foi possível. Os últimos metros da nossa jornada foram feitos no rio que contorna o Morro Campestre. Ali limpamos as perneiras, elementos protetores muito recomendados para as trilhas com pedras e animais peçonhentos, lavamos os tênis enlameados e retornamos ao camping, quase limpos.

A despedida do Tarcísio foi feita sem antes estabelecermos as intenções de regresso e novas aventuras, de maior dificuldade. Ele é um dos guias pioneiros da região, e cada minuto ao seu lado é uma oportunidade para aprender.

Praia Grande à Praia do Rosa

Talvez não tenha ficado claro ainda, mas Praia Grande não tem praia. É assim chamado pelo espraiado de seixos rolados existentes no local. 

Pela manhã soube do Tarso que seguiria a jornada de volta sozinho, pois ele teria que regressar de carro a Balneário Camboriú com a Marlene e Samanta. Tratei de partir assim que possível, para evitar qualquer tentação de aceitar uma carona. Estava determinado a concluir a viagem como iniciara, sobre duas e não quatro rodas.

Parti às 10h30min aproximadamente. O que se seguiu foram 217 km e 10h49min de um pedal com forte vento contra praticamente o tempo inteiro. Nesse tempo são considerados também três paradas de aproximadamente 30 min cada para me alimentar e reabastecer as caramanholas. Ao passar por Tubarão fiz registro de um aerogerador cujo movimento das pás indicavam uma abundância de vento. Soube de uma amiga que trabalha na empresa que administra o aerogerador, que na tarde da minha passagem eram gerados 1,8 MW de uma capacidade instalada de geração de 2,1 MW.

A escolha do camping assim como o destino da Praia do Rosa fora feito naquela manhã. Já era noite quando cheguei ao camping, exausto. Imediatamente procedi a armar a barraca, tomar um banho, lavar roupa e comer o que restara dos meus suprimentos. Entrei na barraca e apaguei.

Fim de Semana no Rosa

Ao acordar na quinta-feira uma certeza eu tinha. Ficaria no Rosa descansando pelo menos um dia. Esse dia tornou-se dois, e depois três. Ali no camping conheci o Digão, Arthur, Pedrinho, André, Antônio e Leo. E também encontrei o livro do Amyr Klink, “Cem dias entre o Céu e o Mar”, sobre a sua viagem transatlântica do porto de Lüderitz na Namíbia até Salvador, em um barco a remo no ano de 1984. Abri o livro no café da manhã de quinta-feira e terminei de ler horas antes de retornar no domingo.

Os rapazes me acolherem com muita hospitalidade. Juntos fomos à praia, jogamos altinha, mergulhamos no mar, fizemos pizza comunitária, bebemos cerveja artesanal à beira da Lagoa de Iberaquera, vimos o céu estrelado e conversamos sobre a vida. Pouco sei sobre eles além do fato de morarem no Rosa e terem escolhido viver sem muitas posses. Não peguei contatos, tenho o telefone do camping. Foram dias em que passei por uma experiência nova para mim, que é de viajar sozinho.

Pizza comunitária deliciosa preparada pelo André, assistido por nós.

Durante esses dias no Rosa aproveitei para fazer uma corrida de 22 km por praias e trilhas, sem custo de inscrição. Também assisti a um campeonato de surf feminino, “Filhas do Mar”, que teve a participação da minha amiga Maide e da Quelen. Aproveitei para dar umas braçadas no mar, bem preguiçosas.

Na manhã de domingo recusei mais uma oferta de carona para voltar a Florianópolis.

A Chegada

O relógio marcava meio-dia quando finalmente saí do Rosa. Um pouco triste por deixar aqueles dias de convívio agradável para trás. No entanto, a vontade de voltar para casa já era palpável e talvez a proximidade incomodasse. Queria chegar. Escolhi a pior hora para iniciar a pedalada. Logo senti o calor do sol, mas relutei em pedir clemência.

Pedalar na BR-101 não tem muita graça, não tem graça nenhuma. Às vezes é mais prático, às vezes é preciso. Assim foi preciso. Fiz apenas uma parada para reabastecer as caramanholas e 90 km depois, exausto pelo esforço de pedalar no calor e com vento contra, cheguei à casa do César. Escolhi fazer uma parada final ali por dois motivos: para devolver a ele o par de Crocs, e também porque foi com ele que iniciei a viagem e com ele queria que ela terminasse.

César riu de mim, como sempre faz. Eu ri do César, como sempre faço. Conversamos, tomamos café, tomei um banho. Ele mostrou algumas das fotos que estava selecionando da viagem que vez cruzando o Atlântico com os irmãos em um veleiro. Uma pequena chama acendeu dentro de mim, uma vontade de navegar. Uma vontade de também explorar o mar. Quem sabe.

O dia findava e era hora de completar essa viagem de uma vez por todas. Assim resumi a última perna de 30 km saindo do Campeche em direção ao Sambaqui. Cheguei. Olhei para a minha bicicleta e fiz uma foto. Foi uma viagem muito especial, que abriu novas possibilidades. Difícil não é pedalar, é deixar de pedalar.

A foto da chegada

5 pensamentos em “Excursão TTT”

  1. Cara, muito bom. Muito bom mesmo. Senti-me viajando com vcs, tentando encontrar a casa do João de Barro na tua barba e escondendo o bolo de chocolate pra o Tarso não comer todo. Parabéns pela viagem, parabéns pelo texto e parabéns pela coragem de desistir da prova. Vlw, amigo.

    1. Da próxima você vem junto! Uruguai 2018! Mas antes nos veremos muitas vezes nos morros de São Bonifácio, Rancho Queimado e região.

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