Powerman Brasil 2016 – Sprint


Minha história com o triathlon começou com o Ironman 2013. Foi a minha primeira prova nessa modalidade. Fiz três Ironman Florianópolis em anos consecutivos e desde ano passado decidi concentrar meus esforços na corrida. Não porque eu não goste de pedalar ou nadar. Foi uma escolha para permitir que eu dedicasse mais tempo à modalidade mais simples de praticar e na qual eu sentia maior capacidade. Acho que fiz uma boa escolha, pois a corrida tem me dado muitos momentos de alegria e alguns bons resultados, mesmo para alguém que começou a correr seriamente com 34 anos de idade. Apesar disso, continuo a praticar a natação, agora exclusivamente em águas abertas, e o ciclismo de forma mais recreativa. Em função disso, tenho ainda condições mínimas de participar em provas de triathlon, aquathlon e duathlon.

Fiz a inscrição para o Powerman 2016 na modalidade Sprint (5 km corrida + 20 km ciclismo +5 km corrida) há algumas semanas atrás apenas. Em 2015 participei da modalidade Classic (10 km corrida + 60 km ciclismo + 10 km corrida), o que rendeu boas lembranças. Foi um dia onde corri muito bem e um pneu furado atrapalhou a minha prova, mas terminei satisfeito. Com a data limite das inscrições para a prova desse ano se aproximando, resolvi economizar um pouco na inscrição e ao mesmo tempo aumentar a intensidade em uma prova mais curta. Uma semana antes da prova tive a grata surpresa de saber que iria competir com o meu treinador, Ivan Razeira, e uma de suas jovens crias de triatletas, o Leonardo Bibow.

Queria correr para morrer, sobreviver na bike, e ver o que sobrava para aprontar na segunda corrida. Não estava preocupado com a colocação, mas sabia que poderia incomodar um pouco o pessoal com uma corrida forte. Venho treinando para ultramaratonas, então provas de 5 km ou 10 km não são o meu objetivo principal, mas gosto delas também. Na verdade gosto de correr, ponto.

Antes da prova o Ivan estava querendo colocar na minha cabeça que eu poderia levar. Eu ri. Sabia que no ciclismo por mais que eu tentasse, seria muito difícil manter uma eventual liderança, ainda mais porque eu sabia que ele estava na prova. O Ivan não está na forma ideal, e mesmo assim corre só um pouco mais devagar que eu em provas curtas. E pedala muito, mas muito mais. O fato de minha bike ser estrada e estar sem clip também não torna a minha vida mais fácil.

Minutos antes da largada fizemos uma série de exercícios para ativar os glúteos, um passatempo recente favorito, sob orientação do Ivan. Ele disse para eu imaginar que era o Mo Farah. Hahahaha! Boa Ivan! Esse deve ser o segredo. Realmente eu não tinha outra alternativa a não ser ir com tudo, pois não adiantava deixar muito para a bike quando estava sem treinar ciclismo. Pensei em conservar durante o primeiro quilômetro e sentir o ritmo da rapaziada. Mas na hora em que deram a largada eu já estava na frente e resolvi não olhar mais para trás. Corri sem relógio em uma prova pela primeira vez. Não sabia quanto era o ritmo, e sim que eu queria abrir o máximo possível dos demais. No primeiro retorno notei que já tinha aberto uns 50 m para o grupo do segundo colocado. Essa distância só aumentou. No segundo retorno vi que o Ivan estava em segundo. Quando passei pelo pórtico o relógio marcava 18min24s, ou algo assim. Eu tinha certeza que esse não era o meu tempo para 5 km. Não pensei muito sobre isso e corri até a bike, me enrolei pra tirar o tênis, me enrolei para colocar o capacete e me enrolei para botar as sapatilhas. Enrolado, saí correndo com a bike até a área de monte/desmonte. Iniciei o pedal e a bike tava rangendo. Poderia ter feito uma manutenção antes da prova pelo menos.

Foram seis voltas no ciclismo, e com a paciência de um monge budista comecei a contá-las. Ao fim da primeira fui ultrapassado pelo Ivan, que me fez sentir como se fosse uma criança brincando no jogo de adultos. E de certa forma era. Em seguida fui ultrapassado por outro ciclista, e outro, mais outro. Aí fui ultrapassado por uma mountain bike. Pô!!! Aí também é sacanagem. Peraí, toma. Ultrapassei ele de volta. Ops, fui ultrapassado de novo. Um retorno. Te peguei! E assim seguimos nesse jogo de gato e rato até a quarta volta quando de fato deixei o cara da mountain bike para trás. Ou será que foi ao contrario? Agora nem sei. O que ficou claro é que perdi várias posições e não sabia quantas. Ao fim da sexta volta entrei na área de transição e fui ultrapassado por mais dois ciclistas na área de monte/desmonte, tamanha a minha destreza.

Caso essa trapalhada não fosse suficiente, quase atravessei a área de transição e parece que esqueci de deixar a bike. Tive que voltar alguns metros para estacionar a bike e me desfazer do capacete e das sapatilhas. De novo demorei mais do que deveria, mas enfim, era hora de correr atrás do prejuízo, literalmente.

Logo alcancei os dois que tinham me ultrapassado na área de monte/desmonte. O primeiro quilômetro de corrida foi complicado. As pernas estavam um pouco pesadas e mesmo fazendo força parecia que não respondiam. A situação foi melhorando e pouco a pouco fui recuperando posições à medida que acelerava. Definitivamente eu era ainda um dos que estavam correndo mais rápido. Chegou um momento quando a distância do próximo corredor à vista era bastante grande. Comecei a me dar por satisfeito. Talvez não devesse, pois acelerando apenas um pouco mais no último quilômetro diminui a distância consideravelmente, mas não havia mais chão para tentar buscá-lo. O sexto lugar geral na prova estava consolidado. Ivan levou, exatos 3 min à minha frente.

Para quem foi lá pra brincar, estou muito contente. Passar a manhã e boa parte da tarde vendo amigos do esporte competindo e vivendo esse mundo foi muito bom. Ver o Ivan ganhar de perto, junto com ele na prova, na semana em que completou 23 anos de triathlon, foi muito especial. Agora terei uma boa pausa de provas, entro em um ciclo de preparação para uma ultramaratona em trilhas, de 100 km. Ai, vai doer.

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Início da prova, quando todo mundo é galo. Foto: Gilberto Cerutti

2 pensamentos em “Powerman Brasil 2016 – Sprint”

  1. Você fez bonito Juan. Gostei de ver você competir. Com um pouco mais de treinos poderá ganhar vários prêmios. Parabéns amigo! Terá sempre minha torcida.

    1. Obrigado! Mas sabe que realmente não me preocupo com isso. Claro que ganhar sempre é bom, mas na medida em que isso acontece criam-se expectativas e uma auto-cobranca até. Penso que não gostaria disso para mim como atleta amador que sou.

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