Treino Rolé ao redor da Lagoa


Ano passado pude fazer pace para uma dupla feminina numa das mais belas provas de Florianópolis, o Mountain Do Lagoa da Conceição. A oportunidade dada permitiu com que eu corresse os 65 km oficiais da prova, percorrendo praias, trilhas, muitos morros e um pouco de asfalto.

Ao passar por essa experiência me dei conta de que ela está acessível a todos, não há necessidade de inscrever-se em uma prova. Medalha, banquete, troféu, camiseta e outros itens para mim são acessórios. Já não guardo medalhas, nem mesmo de IronMan, e só tenho um troféu que guardei de todas as corridas que fiz. Em tempo ele também será doado. Não quero desmerecer quem valoriza esses itens, mas para mim são ínfimos quando comparados às sensações que a corrida me oferece, a razão de eu correr. E ocupam muito espaço, o que é pior. A competição oferece a oportunidade de comparar seu rendimento com outras pessoas, o que acho bastante válido. Continuo participando em provas organizadas, mas faço escolhas um pouco mais criteriosas. Procuro por provas que ofereçam algo de novo, seja pelo percurso, distância ou combinação de ambos.

Com um pouco de logística e ajuda dos amigos ou familiares para os menos aventureiros, é perfeitamente possível coordenar alguns pontos de apoio para fornecimento de água e alimento. Para os mais aventureiros como eu, basta uma mochila de hidratação, fonte de calorias e trocado para comprar coisas pelo caminho se for conveniente. Ao longo do trajeto são várias as oportunidades.

Para a corrida hoje levei 1,5 litros de água, nozes chilenas, castanhas do Pará, castanhas de caju, tâmaras e um potinho com óleo de coco solidificada. Além disso, dois géis e cápsulas de eletrólitos. Esses últimos dois itens sequer foram usados. O meu objetivo era ver se conseguia fazer o percurso sem recorrer a géis e afins. Mas para isso tive que manter o batimento cardíaco em cheque. Não levei monitor cardíaco, mas usei a percepção de esforço, que a essa altura acredito ser bastante confiável no meu caso.

O dia estava lindo e propício para a corrida: temperatura amena e ensolarado. Senti um pouco de frio no começo, mas depois de meia hora já estava tudo bem. As chuvas recentes deixaram as trilhas bastante enlameadas e notei um maior número de passagens por riachos e nascentes do que de costume.

Corri de huaraches, o que exigiu mais cuidado nas descidas principalmente. Os muitos treinos de subida que fiz recentemente despertaram uma certa dor no meu joelho direito, que ficou um pouco mais pronunciada depois de 50 km de corrida. A partir desse momento qualquer descida era feita com cautela redobrada e procurando não exigir muito do joelho.

Revivi muitas emoções do ano passado quando fiz a prova, lembrei de vários episódios que aconteceram e isso também serviu como forma de me entreter durante a corrida. A paisagem é claro ofereceu ampla fonte de inspiração. Fiquei bem chateado quando notei que o meu celular resolveu dar um apagão e fiquei sem poder tirar fotos antes de completar 10 km. Encontrei algumas pessoas correndo nas trilhas, mas poucas. A trilha da Costa da Lagoa tinha bastante gente deslocando-se para os vários restaurantes que servem frutos do mar.

Terminei 7h 43min após ter começado. Foram 6h 57 min em movimento. Fiz duas paradas para comprar água, ir ao banheiro e descansar um pouco. Os pés também não sofreram danos sérios. No pé esquerdo houve um pouco de abrasão na pele provocado pelas tiras da sandália, o que não ocorreu no direito. Parece que ainda não acertei o ajuste ideal para as huaraches, mas com certeza foi bem melhor do que no Mountain Do do Costão do Santinho, percurso com 42 km.

A sensação de ter cumprido mais uma vez esse trajeto desafiador, e em bom estado, é bastante gratificante. Pretendo incorporar esse “longão” como treino para provas em trilhas mais longas, como a Ultramaratona Indomit 100 km, que farei no fim de Outubro.

Sol nascendo sobre as dunas da Joaquina
Sol nascendo sobre as dunas da Joaquina.
Selfie com vista da Praia da Joaquin
Selfie com vista da Praia da Joaquina. Perdi os óculos escuros.
Estava cansado depois da prova.
Estava cansado depois do longão.
Meus pés após 65 km. Fui de huaraches
Meus pés após 65 km de muitas trilhas, praias, lama. Fui de huaraches

4 pensamentos em “Treino Rolé ao redor da Lagoa”

  1. Muito bom Juan. Realmente seu maior prazer é correr né?. Parabéns por mais esse desafio. Para que você faça trilhas e muitas aventuras e nos brinde com seus relatos, cuida dos sinais que o corpo te dá ok? Joelhos e tornozelos merecem bastante atenção. O coração também! Bjo

    1. Sem dúvida correr é uma das atividades que mais alegria me proporciona. Quanto ao corpo, procuro prestar bastante atenção aos sinais que ele me dá. Geralmente tudo se resolve com uma pausa ou moderação da atividade por um período. Fico muito contente que você aprecia o que escrevo! Assim a motivação para continuar aumenta. Beijo!

  2. Medalhas são itens que ajudam a resgatar a memória. Dependendo como são valorizadas / interpretadas. Quem os que guardam para ostentação, quem os que guardam como lembranças das conquistas. Olhar para ela muitas vezes é lembrar de tudo que foi vivido e sentido naquele momento único. O fato de doar, muitas vezes, elas podem perder o sentido na mão de uma outra pessoa, porém, às vezes, nos aventuramos em pró de outros, ai sim a medalha ganha um outro sentido.
    Ou uma homenagem a alguém que sempre almejou algo e por alguma razão nunca conseguiu, como foi o caso Zatopek.
    Enfim, medalhas eu guardo poucas, aquelas que mais marcaram minha vida. Para um dia eu poder, olhando pra elas, trazer na memória alguns dias de sofrimento e alegria.

    El Flaco, espero estarmos juntos em breve em algum próximo desafio. Saudades, grande abraço!

    1. Concordo com você Renee. Acho que é porque ando numa fase de “desapego”. De verdade que eu consigo lembrar de todos os momentos, mas concordo que o memento é bacana. No meu caso as medalhas e troféus vão para as Corridas do Pereba, então irão propiciar certa alegria crianças e outros corredores. Imagina levar uma medalha de IronMan numa corrida de 6 km? Hahahaha.

      Venha, os desafios te aguardam! Abraço!

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