Taxonomia do Corredor – a versão não definitiva


Basta de me perder na vida, mas em corridas até que posso dar umas perdidas de vez em quando. Mas quando o assunto é o tipo de corredor, nem a minha analista salva. A taxonomia que eu identifiquei é a seguinte:

Corredor de pista: Esse deve ser rápido, mas vive dando voltas e não chega a lugar nenhum. Prefere superfícies lisas e não usa tênis, usa sapatilha. Com garrinhas.

Corredor de rua: Coitado. Assim, ele sai na rua e corre. Que chato. A maioria dos corredores iniciam nesse grupo. Afinal, a maior parte da população vive em zonas urbanas, entrecortadas por…RUAS! É o grupo mais numeroso e mais democrático. As provas de ruas são também mais acessíveis e há várias distâncias. Principalmente ao redor de Shopping Centers.

Maratonista: É o corredor de rua que fez um upgrade e concluiu uma maratona. Caso se declare como maratonista, é provável que essa pessoa só corra maratonas, nem um metro a mais e nem um metro a menos, pelo menos em provas oficiais. 10 km? Não, nem dá pra esquentar. 21 km? De jeito nenhum! Quero mais valor para o meu dinheiro. 50km? Você tá louco? Aí é demais.

Ultramaratonista: Essa categoria é curiosa. Penso nesse corredor como sendo um maratonista que não consegue ser muito rápido, mas que tem uma excepcional tolerância à dor. É o masoquista dos corredores. É o sujeito que gosta de sofrer. E o céu, ou o inferno, é o limite. Essa categoria é dos fetichistas. 100 km, 200 km, 300 km. 24 horas em uma pista oval. 48 horas em uma pista oval. Simmmmm! Quero mais! Dor!!!!

Trail Runner: É um hippie corredor. Pode ser que até fume um baseado, mas isso está tão démodé. Há uma boa chance de comer bastante verduras e procurar por ingredientes orgânicos no supermercado. É o sem lactose, sem glúten, sem açúcar. Esse corredor acorda antes do galo cantar, e quando o sol nascer já está serelepe nas trilhas. Mas se perder a trilha, ai, se perder a trilha. Não sabe sobreviver. Não sabe diferenciar capim de babosa. É capaz de morrer a 10 min da civilização por desidratação. Nunca saia da trilha.

Corredor de Montanha: Também é um trail runner, a não ser que faça apenas subidas em asfalto. Mas o corredor de montanha sobe montanhas. E não estou falando assim do Mont Blanc. Provavelmente uma montanha assim de uns 300 m de altimetria quem sabe. Na sua maioria. Há exceções. Como no Brasil são poucas as montanhas de verdade, acredito que deveríamos redefinir essa categoria para Corredor de Piramba. É mais simpático, é mais preciso, é mais inclusivo.

Ultramaratonista de Montanha: Sai da frente. Estenda o tapete. Ajoelhe diante de sua alteza! Não basta ser ultramaratonista, tem que ser de montanha. Esse não compreende o corredor de rua e sua simplicidade, sua falta de perspectiva. Aqui do alto da minha montanha são todos insignificantes. Ele ri em alto tom quando o corredor de rua diz que a subida da prova de 5 km estava difícil. Ele respira o ar puro dos Alpes. Gosta de sofrer, mas com estilo, paisagens deslumbrantes, mosquitos, aranhas e serpentes.

Tendo concluído a minha taxonomia, digo que corro. Nada mais.

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2 pensamentos em “Taxonomia do Corredor – a versão não definitiva”

  1. Bom texto Juan. Texto leve e de fácil entendimento. Como maratonista seria interessante você ter relatado a sua experiência em cada categoria, haja vista ter disponibilizado o texto em áudio.

    sugestão: Palavras em inglês poderiam ser traduzidas, isso facilitaria melhor compreensão do texto e do áudio.

    Parabéns!

    1. Excelentes observações. Acabo usando algumas palavras em inglês que são mais comuns, e nem todos vão entender. Mas tomarei cuidado para não exagerar. Quanto à minha experiência em cada uma das categorias, fica para uma próxima postagem!

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